Resumo

O debate do Estadão/FAAP com candidatos ao Senado por SP foi marcado por troca de farpas, denúncias de corrupção e pedidos de impeachment de ministros do STF. Ricardo Salles e André do Prado protagonizaram o confronto mais tenso, enquanto Guilherme Derrite e Marina Silva trocaram acusações políticas. Os participantes debateram segurança pública, escala 6x1, emendas parlamentares, regulação de apostas e o pacto federativo, comprometendo-se integralmente a cumprir os oito anos de mandato caso eleitos.

Candidatos ao Senado Federal por São Paulo participam de debate promovido pelo Estadão e Fundação Armando Álvares Penteado - FAAP.

Foto: Daniel Teixeira/Estadão / Estadão

A 11 dias da eleição, os candidatos ao Senado pelo Estado de São Paulo participaram na noite desta quarta-feira, 23, do debate promovido pelo Estadão em parceria com a FAAP. Durante duas horas, eles discutiram propostas sobre temas como orçamento do Estado, uso de emendas parlamentares, segurança pública, escala 6x1. Também houve trocas de acusações sobre suspeitas de corrupção e candidatos defenderam o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

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Enquanto as candidatas alinhadas ao governo federal, Simone Tebet (MDB) e Marina Silva (Rede), evitaram citações ao presidente Lula (PT), André do Prado (PL) destacou em vários momentos ser candidato do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Guilherme Derrite (PP) citou Tarcísio e o candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL).

Corrupção e STF

Os candidatos Ricardo Salles (Novo) e André do Prado (PL) protagonizaram o embate mais acalorado da noite. O candidato do Novo disse que o adversário é uma "marionete do Valdemar Costa Neto", que, segundo ele, "é conhecido no Brasil como uma das pessoas mais corruptas da política brasileira". André do Prado rebateu dizendo que Salles é réu no STF. "Eu tenho 32 anos de vida pública e posso responder por mim: ficha limpa".

Escândalos de corrupção foram citados por diferentes candidatos ao longo do debate. Segundo Simone Tebet, a situação está "matando o futuro do país".

"A política brasileira não honra os 210 milhões de brasileiros, o que aconteceu é o que aconteceu quatro anos atrás, oito anos atrás. Nós temos hoje, sem discriminação, esquerda, direito ou centro", afirmou a candidata.

O tema também foi citado por Guilherme Derrite no contexto do escândalo do Banco Master. Questionado, o candidato defendeu a instauração de processos de impeachment de ministros do STF.

"É inadmissível que, com indícios de autoria e materialidade de ministros da Suprema Corte no maior escândalo da história recente do país, nós não temos no mínimo um pedido de impeachment aberto, instaurado", disse Derrite. O candidato defendeu uma mudança no regimento interno do Senado para evitar que o presidente da Casa se negue a pautar pedidos. "É inadmissível 109 pedidos de impeachment sendo engavetados pelo atual presidente".

André do Prado afirmou que "Davi Alcolumbre não tem mais condições de presidir o Senado Federal. Por isso é importante nós elegermos dois senadores que fazem parte do time do nosso governador Tarcísio de Freitas, do Flávio Bolsonaro".
Segurança Pública
Questionadas sobre segurança pública, Marina Silva e Simone Tebet defenderam uma maior integração entre Polícia Civil, Polícia Militar e os órgãos de controle do Estado. "É combater o crime organizado de forma estruturante, e não apenas fazendo atitudes que muitas vezes parece que está resolvendo e não está", disse Marina.
"Não vamos colocar os chefões do PCC e do CV na cadeia se nós não tivermos um serviço de inteligência e integração", acrescentou Tebet. As candidatas ainda lamentaram a não aprovação da PEC da Segurança Pública.
Guilherme Derrite foi perguntado pelo Estadão sobre as suspeitas de que o então comandante da Polícia Militar José Augusto Coutinho tinha conhecimento que policiais tinham envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC) no momento em que foi nomeado para o cargo, Guilherme Derrite disse que até aquele momento não havia informação sobre o caso.
"O caso aconteceu seis anos atrás [...] Até aquele momento não havia nenhuma punição disciplinar no assentamento individual do coronel", disse.
Bets
Geraldo Rufino defendeu a proibição total a casas de apostas online. O candidato comparou o fenômeno das bets a drogas, como maconha e cocaína. "A maioria das pessoas que procura esse tipo de vício possuem pouca informação, pouco conhecimento. A hora que vê o dinheiro foi embora", disse. Soninha Francine alertou para o risco de uma proibição total fomentar o mercado ilícito. "A minha preocupação é que, quando você fecha um negócio legal, a possibilidade que ele seja fiscalizado, sobra somente esse tipo de atividade ilegal".
Jornada 6x1
Questionado sobre o assunto, André do Prado defendeu a desoneração da folha de pagamento para viabilizar a adoção do fim da escala 6x1. "Sou favorável que o trabalhador tenha uma jornada reduzida, para que possa ter uma maior convivência com a sua família. Porém temos que resolver também as quatro horas que o empreendedor vai ter que arcar com os custos". Soninha Francine também fez ressalvas à medida.
"Imaginar que, só porque a pessoas vão estar mais descansadas, isso vai aumentar a produtividade e o setor econômico de modo geral não vai sentir nenhuma dificuldade, não é verdade. Eu penso principalmente no comércio. Se você tinha um determinado número de funcionários, às vezes tem um funcionário, como vai fazer?", questionou.
Orçamento
Ao longo do debate, diferentes candidatos defenderam a revisão do pacto federativo, com o envio de mais recursos da União para o estado de São Paulo. Simone Tebet questionou André do Prado sobre a possibilidade de extinguir o ICMS em uma reforma tributária e os riscos que a medida poderia gerar para as universidades paulistas, que recebem uma parte da arrecadação do tributo.
O candidato do PL defendeu reformar o pacto federativo, para aumentar o dinheiro repassado pela União ao estado. "A cada 100 reais que enviamos para Brasília, só nove voltam. É desproporcional e injusto com o povo paulista".
Tebet prometeu "defender a autonomia das universidades. "Não vamos deixar que o estado de São Paulo mexa nas leis estaduais e tire um único centavo das universidades públicas do estado".
Soninha Francine disse que é necessário rever o pacto para acabar com a dependência das emendas parlamentares. Segundo a candidata, "quanto mais os recursos da União forem distribuídos de uma maneira proporcional ao tamanho da população, às necessidades, menos vai haver essa dependência política".
Ela e Marina criticaram o caráter impositivo das emendas. A candidata da Rede falou em sequestro do orçamento. "As emendas impositivas são uma usurpação do poder Executivo, que não têm base constitucional. Hoje cerca de R$ 50 bilhões estão sendo subtraídos do orçamento público, sem transparência".
Governo Lula
Questionado por Marina Silva sobre o Bolsa Família e o crescimento da população em situação de rua, Guilherme Derrite defendeu a continuidade do programa, mas questionou a decisão de aumentar o benefício no momento, anunciada pelo governo Lula: "O que precisa ser discutido é esse aumento no período pré-primeiro turno". Ele também defendeu a necessidade de criar "gatilhos" para sair dessa situação. Marina rebateu dizendo que 700 mil pessoas já deixaram o programa no estado de São Paulo e que o Bolsa Família foi reajustado de acordo com a inflação. A candidata afirmou que o adversário é "farinha do mesmo saco" que Jair Bolsonaro. Derrite retrucou dizendo que ela é "farinha do mesmo saco que Lula".
Simone Tebet atribuiu a responsabilidade pela perda do poder de compra do brasileiro à "classe política" e disse que o governo Lula tirou 20 milhões de pessoas do mapa da fome. "Os juros de hoje são os mesmos dos finais do governo Bolsonaro. Com uma diferença, hoje nós tiramos 20 milhões de pessoas do mapa da fome, nós estamos no menor índice de desemprego da história. O salário mínimo aumenta acima da inflação". Derrite afirmou que faltou articulação da gestão petista no Congresso: "Que o governo falho, falhou. Isso está nítido".
Cumprimento do mandato
Antes do início do debate, o Estadão questionou a cada um dos participantes se, caso sejam eleitos, eles pretendem permanecer no cargo pelos oito anos de mandato. Todos eles disseram que não há a possibilidade de renunciar precocemente e deixar os postos para os suplentes.
"Eu sou um paulista autêntico, verdadeiro e muito orgulhoso de ser paulista. Não abro mão do meu mandato de jeito nenhum", disse Ricardo Salles (Novo), acrescentando que "ser senador por São Paulo é uma honra".
Soninha Francine (Cidadania) afirmou que pretende permanecer no cargo por oito anos para "influenciar os rumos da política no país, das políticas públicas". Segundo ela, "o Senado é um dos principais lugares para isso".
Simone Tebet (MDB) disse que, quando foi senadora pelo Mato Grosso do Sul, entre 2015 e 2023, recebeu convites para ser ministra, mas recusou. "Se eleita for, permanecerei no Senado pelos próximos oito anos".
Com a promessa de "ser base" de Flávio Bolsonaro na Casa, Guilherme Derrite (PP) disse que pretende permanecer no cargo durante todo o mandato para ajudá-lo a "implementar as políticas públicas necessárias. Em especial, as reformas que nós teremos que fazer".
Após deixar o Ministério do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede) afirmou que já cumpriu seu papel na pasta e que está pronta para representar o estado de São Paulo por oito anos. "O que eu tinha que fazer no Ministério do Meio Ambiente, eu já fiz por três vezes [...] Agora estou pronta para ser senadora por São Paulo e pelo Brasil, para um novo ciclo de prosperidade que não deixe ninguém para trás".
André do Prado (PL) disse que é "mais justo" com o eleito que o candidato eleito termine o mandato do que deixe o cargo com o suplente. "A população muitas vezes não conhece nem os suplentes, então vota no candidato e acaba o suplente ficando boa parte do mandato".
Segundo Geraldo Rufino (Pode), isso tem acontecido porque candidatos entram na disputa para atender a interesses políticos. "Dão grupos políticos que colocam alguém para poder ser eleito, depois ele é administrado por um grupo político, atende a um grupo político. Eu estou indo para o propósito de representar as pessoas", afirmou.

