Alimentação, exercícios, sono e saúde hormonal entram no radar sobre envelhecimento e vai além de cosméticos e procedimentos estéticos

Muitas mulheres demoram para perceber que as mudanças podem estar relacionadas aos hormônios
Muitas mulheres demoram para perceber que as mudanças podem estar relacionadas aos hormônios · Imagem: Muitas mulheres demoram para perceber que as mudanças podem estar relacionadas aos hormônios Foto: Imagem ilustrativa/Magnific

24 set 2026 - 04h58

Conheça a beleza metabólica tendência que propõe cuidar da aparência 'de dentro para fora'
Conheça a beleza metabólica tendência que propõe cuidar da aparência 'de dentro para fora' · Imagem: Source: www.terra.com.br

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Conheça a beleza metabólica tendência que propõe cuidar da aparência 'de dentro para fora'
Conheça a beleza metabólica tendência que propõe cuidar da aparência 'de dentro para fora' · Imagem: Source: www.terra.com.br

- Por: Luiza Mazon, colaboração para o Terra

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Muitas mulheres demoram para perceber que as mudanças podem estar relacionadas aos hormônios

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Rugas, manchas, flacidez e mudanças no cabelo estão entre os sinais mais visíveis da passagem do tempo. Uma tendência que ganha espaço no universo da beleza, porém, propõe ampliar esse olhar e considerar também processos que acontecem dentro do organismo. É a chamada beleza metabólica.

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O conceito aparece entre as tendências apontadas pela Mintel, agência de inteligência de mercado, para os próximos anos. No relatório 2026 Global Beauty and Personal Care Predictions, a empresa prevê uma aproximação entre beleza, saúde, tecnologia e personalização, com pele e cabelo ganhando espaço como marcadores visíveis de saúde.

Cafeína pode ajudar memória prejudicada pela falta de sono Foto: Farknot/Evanto / Boa Saúde
Cafeína pode ajudar memória prejudicada pela falta de sono Foto: Farknot/Evanto / Boa Saúde · Imagem: Source: www.terra.com.br

Na prática, a proposta coloca alimentação, atividade física, sono, hormônios e saúde metabólica na discussão sobre como pele, cabelo e corpo mudam ao longo dos anos.

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O que acontece dentro do corpo pode aparecer na pele?

Cuidados essenciais garantem um efeito de pele de vidro seguro e hidratado após a aplicação. Foto: Imagem gerada por IA / Catraca Livre
Cuidados essenciais garantem um efeito de pele de vidro seguro e hidratado após a aplicação. Foto: Imagem gerada por IA / Catraca Livre · Imagem: Source: www.terra.com.br

A endocrinologista Karen de Marca, presidente eleita da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), observa que algumas características externas podem acompanhar processos que acontecem no organismo. “Faz sentido pensar que o que a gente exterioriza é muito do que está também internamente acontecendo”, diz.

Cafeína pode ajudar memória prejudicada pela falta de sono Foto: Farknot/Evanto / Boa Saúde
Cafeína pode ajudar memória prejudicada pela falta de sono Foto: Farknot/Evanto / Boa Saúde · Imagem: Source: www.terra.com.br

Alguns exemplos aparecem no dia a dia: o tabagismo pode estar associado a alterações na coloração dos dentes e da mucosa oral, enquanto determinadas doenças metabólicas apresentam manifestações cutâneas. "A gente tem xantelasmas, xantomas, manchas e acantose nigricans", exemplifica. Os dois primeiros correspondem a depósitos de gordura na pele, enquanto as manchas podem ter diferentes causas. Já a acantose nigricans provoca escurecimento e espessamento da pele, principalmente nas dobras do corpo.

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Alterações hormonais também podem se manifestar externamente. Ela cita situações envolvendo excesso de andrógenos, hormônios como a testosterona, que, quando presentes em níveis elevados ou com maior atividade no organismo feminino podem estar associadas à acne e à queda de cabelo, e chama atenção para as transformações que acompanham a menopausa.

Cuidados essenciais garantem um efeito de pele de vidro seguro e hidratado após a aplicação. Foto: Imagem gerada por IA / Catraca Livre
Cuidados essenciais garantem um efeito de pele de vidro seguro e hidratado após a aplicação. Foto: Imagem gerada por IA / Catraca Livre · Imagem: Source: www.terra.com.br

O que a menopausa tem a ver com essa discussão?

Ondas de calor, mudanças no sono, ressecamento vaginal, alterações na libido e no humor estão entre os sintomas que podem aparecer nessa fase.

A ginecologista Ana Carolina Romanini, da Clínica Ginelife, explica que algumas dessas mudanças podem ainda desencadear outros efeitos. “Uma paciente que não dorme bem vai ficar mais estressada, vai ficar mais cansada. Obviamente, isso vai se refletir na pele, por exemplo”, diz.

Nem todas as repercussões desse período, no entanto, são visíveis. Com a redução dos níveis de estrogênio, Romanini chama atenção também para mudanças na saúde cardiovascular, como alterações no colesterol e aumento do risco cardiovascular, que podem ocorrer sem provocar sintomas perceptíveis.

A terapia hormonal pode fazer parte do cuidado quando há indicação, mas não é adotada simplesmente porque a mulher chegou a determinada idade. A decisão deve considerar também sinais, histórico pessoal e familiar, fatores de risco e outras condições. “Além do tratamento dos sintomas, é fundamental pensar em prevenção e qualidade de vida”, destaca a ginecologista.

Esse olhar também passa pela forma como a própria menopausa é encarada. “Eu acho que hoje as mulheres estão entendendo que a menopausa não é uma sentença de que a vida acabou", afirma.

Qual é o papel da alimentação?

A alimentação é outro componente que ajuda a entender o conceito de beleza metabólica. Segundo a dermatologista formada pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Juliana Toma, o que se come no dia a dia também pode repercutir na pele por diferentes mecanismos.

Conforme a médica, alimentos de alto índice glicêmico provocam respostas envolvendo hormônios como insulina e IGF-1, que podem aumentar a atividade das glândulas sebáceas e favorecer processos relacionados à acne. “A nossa pele reflete tudo aquilo que acontece no nosso organismo. É como se fosse um termômetro”, compara.

A qualidade também importa pela oferta de nutrientes necessários. Segundo o nutrólogo e pós-graduado em Medicina Esportiva, Renato Lobo, não basta considerar apenas o tipo de alimento consumido, já que sua composição também pode variar de acordo com fatores como origem e forma de produção. “Quando você fornece os nutrientes adequados, tem um metabolismo funcionando de forma mais correta, tem as funções bioquímicas mais adequadas”, explica.

Outro processo que ajuda a aproximar alimentação e envelhecimento é a glicação, uma reação que ocorre quando moléculas de açúcar se ligam espontaneamente a proteínas do organismo, como colágeno e elastina. O médico pontua que, em excesso, pode comprometer estruturas relacionadas à firmeza e à elasticidade da pele.

Sono e exercício também entram na conta?

Outros componentes da rotina entram nesse olhar integrado da beleza metabólica. O sono é um deles. A dermatologista Juliana Toma ressalta que o período de descanso participa de mecanismos de reparação do organismo e de regulação hormonal. Já o estresse pode repercutir em diferentes condições dermatológicas, inclusive por meio de alterações envolvendo o cortisol.

Os cuidados diários também passam pela proteção contra o sol, um dos principais fatores externos relacionados ao envelhecimento da pele. Para a doutora, o uso de protetor solar deve fazer parte da rotina mesmo quando há investimento em outros cuidados. “Não adianta nada a gente ter todas as tecnologias e tratamentos disponíveis se a gente não usa um simples protetor diariamente”, diz.

A atividade física também entra nesse conjunto. Segundo Renato Lobo, além de ajudar a preservar massa muscular, força e capacidade funcional ao longo do envelhecimento, o exercício favorece a circulação e atua em mecanismos relacionados ao estresse oxidativo, o que pode contribuir para reduzir danos celulares associados ao excesso de radicais livres e ao envelhecimento do organismo.

A dermatologista concorda. “É muito importante manter hábitos de vida mais saudáveis para cuidar da nossa saúde e, por consequência, transparecer isso na pele”, afirma.

Como saber se o organismo está envelhecendo bem?

Se a proposta da beleza metabólica é ampliar o olhar para além da aparência, a análise do envelhecimento também não se limita ao que pode ser observado na pele ou no cabelo.

A endocrinologista Karen de Marca explica que pressão arterial, peso, circunferência da cintura, composição corporal e força estão entre as medidas que podem ser avaliadas no consultório. Exames laboratoriais complementam essa análise ao permitir observar, por exemplo, perfil lipídico e funções renal e hepática.

Conforme o caso, também podem entrar avaliações de saúde óssea e cardiovascular. “A nossa avaliação clínica é predominante sempre”, ressalta.

Suplementos podem ajudar?

A associação entre determinados suplementos e benefícios para a aparência também exige cuidado. Renato Lobo explica que a cautela vale, por exemplo, para substâncias que ganham espaço por uma possível ação antioxidante. Para o nutrólogo, isso não significa que devam ser consumidas indiscriminadamente, e parte desses nutrientes pode ser obtida pela própria alimentação. “Você tem que saber o que você quer e por que está consumindo aquilo. Não é assim: ‘deixa eu pegar essa vitamina que é boa’”, alerta.

A lógica também se aplica às vitaminas comercializadas para os cabelos. Lobo destaca que elas podem ajudar quando existe uma deficiência nutricional relacionada ao problema. Diante de uma queda de cabelo, porém, é preciso investigar a causa, que pode ser outra. “Se você tem nível suficiente, não é enchendo o tanque até a boca que vai melhorar”, compara.

O consumo de vitaminas sem orientação pode, inclusive, levar ao excesso. Renato cita a hipervitaminose, caracterizada por níveis elevados de determinadas vitaminas no organismo. Os efeitos variam conforme a substância e podem incluir fraqueza, alterações nos reflexos e cálculos renais. “Existe um senso comum, errado, mas comum, de que quanto mais, melhor. Se não funcionou ainda, é só aumentar, só dobrar. Talvez não funcione dessa forma”, alerta.

Conforme o nutrólogo, o mesmo princípio de evitar tentativas sem direcionamento pode ser aplicado de forma mais ampla aos cuidados com o envelhecimento. Há compostos, procedimentos e hábitos que podem ajudar, mas a escolha precisa de atenção.

“Porque tentar tudo vira chute. O problema é que, com a saúde, não dá para ficar errando muito”, alerta Renato Lobo. Segundo o nutrólogo, as consequências dessas tentativas nem sempre são tranquilas ou reversíveis, por isso a escolha de compostos, procedimentos e hábitos deve ser orientada por um objetivo claro.

Fonte: Portal Terra

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