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Você sente vontade de ir ao banheiro, mas, ao chegar ao vaso, não consegue evacuar? Se isso acontece com frequência, pode ser sinal de um quadro médico conhecido como constipação de outlet.

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De acordo com Henrique Fillmann, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) e professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), a constipação, também chamada de prisão de ventre, é definida como uma dificuldade em evacuar.

O público em geral costuma associar o quadro unicamente à redução da frequência evacuatória, mas o diagnóstico também leva outras questões em consideração, afirma o coloproctologista.

“A frequência é um dos parâmetros de avaliação para a constipação, mas não é o único. O paciente que evacua todos os dias, mas todas as vezes tem de fazer um esforço evacuatório muito grande, é um paciente constipado para os parâmetros médicos atuais”, destaca.

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Na constipação de outlet, o intestino funciona normalmente, porém o paciente não tem capacidade de expulsar as fezes Foto: Methaphum/Adobe Stock Images

A constipação pode causar sintomas como dores abdominais, tenesmo (impressão bastante incômoda de ter fezes presas no reto, o que gera uma sensação de peso) e até dor de cabeça. Mas, para além disso, também pode ser indício de quadros mais graves, como tumor no intestino grosso. Por isso, um acompanhamento médico é necessário, em especial para pessoas acima dos 40 anos.
Constipação de outlet e constipação colônica
De acordo com Fillmann, existem dois tipos principais de constipação: a colônica, quando o paciente não sente vontade de evacuar, e a de outlet (ou de bloqueio).
Neste segundo caso, o trânsito intestinal funciona perfeitamente e as fezes chegam até o reto, porém o paciente não tem a capacidade de expulsá-las.
Ela é causada por duas questões principais. A primeira é a retocele, condição comum em mulheres e caracterizada pelo enfraquecimento da parede que separa o reto da vagina, formando uma espécie de bolsa.
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“As fezes chegam (ao reto), mas, em vez de irem em direção ao ânus, ficam presas nesse bolsão que se projeta em direção à vagina”, explica o professor.
Por conta disso, detalha Fillmann, algumas mulheres precisam colocar a mão na vagina e empurrar a parede vaginal, para que a manobra desloque a “bolsa” e possibilite a evacuação.
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Outra causa é o anismo (ou defecação dissinérgica), que ocorre por uma incoordenação da musculatura no momento de evacuar.
O processo normal de evacuação exige que a pessoa faça uma pressão abdominal e, ao mesmo tempo, relaxe a musculatura do esfíncter anal, o conjunto de músculos em forma de anel ao redor do ânus que controla a saída de fezes e gases. No paciente com anismo, mesmo fazendo força abdominal, o esfíncter não relaxa e o ânus permanece fechado, bloqueando a saída das fezes, segundo o médico.
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Como é o tratamento
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Laxantes não são a solução para a constipação de outlet, já que nessa condição o trânsito intestinal funciona perfeitamente. A origem não é a lentidão do intestino.
O tratamento adequado varia de acordo com a origem do problema. No caso da retocele, a cirurgia de correção é o procedimento indicado. Segundo o professor, ela é reservada apenas para casos sintomáticos, já que cerca de 70% das mulheres acima de 40 anos possuem retocele sem necessariamente apresentar constipação.
Fillmann acrescenta que, antes da cirurgia, é fundamental ter certeza de que a paciente também não possui anismo. Se o procedimento for realizado sem tratar o anismo, não trará resultado e o bloqueio evacuatório continuará.
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Em caso unicamente de anismo, o tratamento consiste em fisioterapia pélvica com a técnica de biofeedback, em que o fisioterapeuta ensina o paciente a coordenar e utilizar a musculatura pélvica corretamente no momento de evacuar. “A fisioterapia para anismo tem um resultado muito melhor que a cirurgia da retocele”, diz o coloproctologista. “Tem um índice de sucesso acima de 90%.”
Em casos combinados de retocele e anismo, é indicada a realização da fisioterapia em um primeiro momento. Na maioria das vezes, segundo o médico, quando o anismo é corrigido por meio da fisioterapia, os sintomas de bloqueio desaparecem e a paciente melhora a ponto de não precisar mais da cirurgia para a retocele.


