O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) tem alertado para os riscos da política fiscal do governo desde janeiro de 2026.Na ata da última reunião, divulgada na terça-feira (22/9), o comitê afirma que as ações tomadas pela área econômica do governo, como concessão de crédito subsidiado, podem elevar juros estruturalmente e dificultar controle da inflação.“A política fiscal tem um impacto de curto prazo, majoritariamente por meio de estímulo à demanda agregada, e uma dimensão mais estrutural, que tem potencial de afetar a percepção sobre a sustentabilidade da dívida e impactar o prêmio a termo da curva de juros”, afirmou o texto. Leia também BrasilCopom vê “aumento da incerteza” e diz que cenário econômico exige “cautela” EconomiaAnalistas: Copom mantém tom cauteloso, mas há chance de novo corte da Selic EconomiaCopom não dá pistas sobre novo corte de juros, após 5ª redução da Selic BrasilCopom reduz taxa Selic e juros caem para 13,75% ao ano Para o BC, a política fiscal deve atuar de forma equilibrada ao longo do ciclo econômico, estimulando a economia em momentos de fraqueza e sendo mais contida em períodos de crescimento. Esse comportamento contribui para reduzir riscos e facilitar a convergência da inflação à meta, explicou o Copom.Essa não é a primeira vez que o colegiada alerta sobre a política fiscal do governo. Desde janeiro, o Copom coloca o fiscal como um dos cenários de risco analisado pelos diretores. Ao todo, já foram 6 reuniões este ano e em todas elas o comitê trata sobre o assunto.O BC acredita que a equipe econômica tem anunciado medidas que aquecem muito a economia e que isso pode gerar impacto inflacionário.É o caso das linhas de crédito voltadas para motoristas, por exemplo. O Move Brasil para taxistas e motoristas por aplicativo é um programa que prevê R$ 30 bilhões para a renovação de frota.Outros programas a exemplo destes também se baseiam em linhas de crédito subsidiadas, como é o caso do Reforma Casa Brasil, programa voltado para reformas, ampliações ou adaptações em moradias.O estímulo ao consumo, segundo o BC, tem o potencial de elevar de forma permanente o nível de juros da economia, o que reduz a eficácia da política monetária e torna mais difícil controlar a inflação, com impactos negativos sobre a atividade econômica.“O Comitê mantém a firme convicção de que as políticas devem ser previsíveis, críveis e anticíclicas. Em particular, o debate do Comitê reforça, novamente, a necessidade de políticas fiscal e monetária harmoniosas”, afirmou a última comunicação do Copom.Entenda o que é o CopomO Comitê de Política Monetária é o órgão do BC responsável por definir a taxa básica de juros da economia, a Selic;O grupo usa a Selic para controlar a inflação: quando ela sobe demais, os juros aumentam; quando está baixa, há espaço para reduzir;O Copom é formado pelo presidente do BC e pelos diretores da instituição, especializados em áreas como política econômica e regulação;O colegiado se reúne a cada 45 dias para analisar dados da economia, como inflação, câmbio, atividade e cenário internacional, antes de votar a taxa.Sinalizações do BCNa semana passada, o Copom decidiu reduzir os juros de 14% para 13,75% ao ano. A medida já era esperada pelo mercado financeiro, que precificava um corte de 0,25 p.p.Apesar de alertar sobre os riscos da política fiscal e de outros cenários, como a crise no Oriente Médio, que afeta o preço do petróleo e impacta diretamente na inflação, que atualmente está em 4,22% no acumulado dos últimos 12 meses.Apesar de dentro da meta, a tendencia é de alta. O Ministério da Fazenda revisou as projeções na última terça e levou a expectativa de inflação a 4,9% ao final de 2026, acima do teto da meta.A meta de inflação, definida pelo Comitê de Política Monetária (CMN), é de 3% ao ano, com banda de tolerância de 1,5% para cima ou para baixo, ou seja, o teto da meta é de 4,5%.Apesar do ciclo de flexibilização monetária, o Copom tem evitado dar indícios de quais serão os seus próximos passos na condução da política monetária.Em janeiro, o comitê avisou que, se confirmado os cenários, começaria o ciclo de cortes na taxa básica de juros, a Selic, que naquele momento estava em 15% ao ano desde junho de 2025.Após essa sinalização, o Copom deixou de fazer novas indicações e seus diretores, em falas públicas, tem pregado cautela.Em comunicado, sempre divulgado junto ao anúncio da decisão, o comitê tem afirmado que o ambiente é de incerteza e que, por isso, é necessário analisar a evolução dos cenários.“O cenário atual, caracterizado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária. O Comitê seguirá acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, afirmou no último comunicado, no dia 16 de setembro.7 imagensFechar modal.1 de 7Arte/Metrópoles2 de 7Arte/Metrópoles3 de 7Arte/Metrópoles4 de 7Arte/Metrópoles5 de 7Arte/Metrópoles6 de 7Arte/Metrópoles7 de 7Arte/Metrópoles














