Segundo Bruno Soller, Lula provavelmente já estaria derrotado se tivesse algum candidato apoiado pelo bolsonarismo e não do clã Bolsonaro

24 set 2026 - 13h13

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- Por: Vanessa Ortiz

Pesquisa Real Time Big Data: Lula tem 41% e Flávio Bolsonaro, 37%, no 1º turno:

O candidato Flávio Bolsonaro (PL) tem crescido nas pesquisas sobre as eleições de 2026. Conforme mostra a Real Time Big Data desta quinta-feira, 24, ele aparecia com 30% há três semanas, mas passou para 37% das intenções de voto no primeiro turno no levantamento mais recente, subindo sete pontos percentuais nessa nova pesquisa, fora da margem de erro. A subida do político pode ser atribuída à crise que o Supremo Tribunal (STF) enfrenta, segundo Bruno Soller, cientista político e sócio do instituto.

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“Essa crise do STF gigantesca que acaba atingindo em cheio o status quo. Não é nem o governo Lula, é o poder dominante, é quem tá na linha de frente. Quando esse eleitor que tava buscando alternativas olha, ele não quer a continuidade do governo Lula e só enxerga o Flávio Bolsonaro como opção”, explica.

Bruno Soller, cientista político e sócio do Real Time Big Data

Foto: Vanessa Ortiz/Terra

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), aparece com 41% das intenções de voto no levantamento desta quinta, enquanto no divulgado no dia 1º de setembro, estava com 38%. Já no cenário de um eventual segundo turno, Lula e Flávio estão em empate técnico, com 44% e 45%, respectivamente. O resultado mostra uma ocilação entre os dois, em comparação à 1º de setembro, quando ambos tinham 44% das intenções de voto. Agora, só Flávio oscilou um ponto percentual para cima, dentro da margem de erro, e ficando numericamente à frente de Lula.

Na análise de Soller, Flávio acaba abocanhando o chamado voto útil, numa tentativa da população de tirar quem está no poder diante desses escândalos envolvendo o STF após a divulgação de mensagens entre o ex-banqueiro do Master, Daniel Vorcaro, para o ministro Alexandre de Moraes, e também ao bate-boca entre os ministros da Corte no julgamento do caso. “Então, esse crescimento que a gente tem visto nas últimas pesquisas em relação ao Flávio, tem muito a ver com a crise do Supremo”, declara.

O sócio do Big Data também aponta que, embora outros candidatos como o Escritor Augusto Cury (Avante), Romeu Zema (NOVO), Ronaldo Caiado (PSD) e até Renan Santos (Missão) tenham tido protagonismo como terceira via em algum momento, nenhum deles conseguiu se sustentar, ao mesmo tempo que se instaurou essa crise na Corte.

O presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro lideram as pesquisas de intenção de voto à Presidência.

Foto: Pedro Kirilos/Wilton Junior/Estadão / Estadão

Segundo Soller, a ascensão de Flávio também se mescla ao sentimento de antipetismo e antilulismo que a população carrega. Embora seja uma eleição de incertezas, na sua visão, o cientista político afirma que a eleição estaria acabada para Lula se tivesse um nome para concorrer que não fosse o de um dos Bolsonaros, mas apoiado pelo bolsonarismo.

“Eu não tenho dúvida nenhuma disso. O que mantém ainda o Lula no jogo, é uma rejeição forte ao bolsonarismo, que isso faz com que num segundo turno tenha um empate entre os dois e vire essa grande guerra de rejeições”, declara.

Como exemplo, ele cita o PSDB, que até 2014, recebia esses votos dos eleitores que eram anti-Lula e anti-PT. Soller explica que depois desse período, ocorreu uma nova polarização no Brasil, surgindo com uma característica de um voto afirmativo, e para isso, Jair Bolsonaro era quem representava essa parcela da população. No entanto, ele não vê isso ocorrer exatamente com Flávio.

O filho 01 do ex-presidente recebe votos de quem gosta do pai e, portanto, queriam votar nele, mas devido à condenação por tentativa de golpe de Estado e inelegibilidade, não conseguem. Isso se soma aos que não querem mais o governo Lula e encontram nele uma alternativa.

“Se a gente tivesse um candidato que fosse mais fácil desse voto vir e daí eu te dou um exemplo claríssimo: se fosse o Tarcísio de Freitas, o candidato à presidência da República, eu acho que o Lula teria uma dificuldade muito grande e com o risco inclusive dessa eleição terminar em primeiro turno”, finaliza.
Fonte: Portal Terra
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