O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou que a escolha dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) não deve ficar restrita ao chefe do Executivo federal.“Eu acho que não pode ser só o presidente que indique. Acho que nós temos que criar um critério de como envolver a sociedade civil para que a gente indique alguém que não seja só da vontade do presidente ou da OAB”, afirmou o presidente em entrevista à Band, exibida neste domingo (27/9).O presidente defendeu que a indicação ao STF passe por um “crivo de um colegiado”. “Para que aquela pessoa não seja mais um cara indicado pelo presidente, então tem que votar com o presidente. Não é assim que funciona”, argumentou.Na entrevista, afirmou que o atual critério de escolha ao STF é “muito vulnerável”. “Eu indico alguém que eu confio, alguém que eu conheça. Ou alguém que o mundo jurídico conhece”, disse.Lula disse que quando escolhe uma indicação para a Suprema Corte, realiza consulta com outros integrantes do Executivo, como o ministro da Justiça e a seção jurídica da Casa Civil, por exemplo.O petista ressalvou que há um distanciamento entre o perfil que ele enxerga nos indicados e o comportamento dos mesmos após assumirem o cargo na Corte.“A segunda coisa é que você não tem certeza (sobre o comportamento), uma coisa é quando você indica, outra coisa é quando bota a toga. Quando o cara coloca a toga, ele vira Deus. Aí o presidente não tem mais nenhuma interferência”, frisou Lula.O distanciamento que Lula tenta marcar em relação ao comportamento dos ministros do STF ocorre diante de uma crise de credibilidade na Corte, com reflexos negativos na campanha à reeleição.Dos dez membros do Supremo, quatro foram indicados por Lula:Cármen Lúcia (2006)Dias Toffoli (2009)Cristiano Zanin (2023)Flávio Dino (2023)O advogado-geral da União, Jorge Messias, teve o nome encaminhado para o Congresso Nacional para o posto de ministro do STF. No entanto, a indicação de Lula foi rejeitada pelo Parlamento, marcando uma importante derrota do petista no atual mandato.Outros assuntosÀ rede Bandeirantes, Lula também tocou em outros assuntos tais como segurança pública e reforma política. Leia também BrasilGoverno Lula pede que STF reconheça validade de reajuste do Bolsa Família Minas GeraisPresidente do PT diz que crise do STF atinge Lula e pede ação da militância Minas GeraisTSE manda tirar do ar jingle de Zema com sátira a Lula e ministros do STF BrasilPresidente do PT admite desgaste na campanha de Lula por crise no STF “(A política) vai mudar quando a gente fizer uma reforma política nesse país, que precisa ser feita para criar partido sério, partido que tenha manifesto, partido que tenha compromisso com a sociedade, partido que tenha bandeira, partido que tenha programa e partido que tenha um comportamento ético”, disse Lula.










