Reduzir as emissões de gases de efeito estufa pode diminuir a perda de gelo na Antártida ao longo deste século e conter parte da elevação do nível do mar. A conclusão vem de um estudo realizado por uma equipe internacional de pesquisadores, e publicado em 30 de setembro pela revista Nature Geoscience.Segundo a análise, há pelo menos 89% de chance de que um cenário com emissões mais baixas resulte na redução da perda de gelo até 2100, quando comparado a um cenário de emissões elevadas. Para os autores, as escolhas feitas na atualidade ainda têm peso direto no comportamento do gelo antártico nas próximas décadas.“As comunidades costeiras precisam se preparar para a elevação do nível do mar, e a magnitude dessa elevação ainda depende das escolhas que fizermos hoje”, afirmou o cientista climático Robert Kopp, da Universidade Rutgers, nos Estados Unidos, em comunicado.O que acontece com o geloA Antártida concentra a maior reserva de água doce congelada do planeta. Quando esse gelo se desloca para o oceano, o volume de água aumenta e o nível do mar sobe.O estudo mostra que o aquecimento global interfere nesse processo ao enfraquecer as plataformas de gelo que funcionam como barreiras naturais. Com o oceano mais quente, essas estruturas afinam ou se fragmentam, permitindo que as geleiras avancem mais rápido em direção ao mar. Leia também CiênciaCientistas encontram “cidade de peixes” escondida no mar da Antártida CiênciaFóssil arquivado há quatro décadas é do 1º dinossauro da Antártida CiênciaToxina de animal da Antártida pode ajudar a tratar o câncer de pele CiênciaOndas formadas na Antártida viajam 14 mil km até o Alasca, diz estudo Esse movimento pode se intensificar quando diferentes fatores atuam juntos, como o derretimento por baixo das plataformas e a forma como o gelo desliza sobre o solo.Mesmo em cenários com corte de emissões, os pesquisadores apontam que a perda de gelo é muito provável. A estimativa indica pelo menos 92% de chance de redução do volume total até o fim do século.Quanto o mar pode subirPara avaliar situações mais críticas, a equipe analisou combinações de condições que levariam a perdas maiores de gelo. Em um cenário de emissões muito altas, a contribuição da Antártida para a elevação do nível do mar pode chegar a cerca de 25 centímetros até 2100.O número considera apenas o gelo do continente. Ou seja, não inclui o derretimento da Groenlândia, das geleiras de montanha e nem a expansão da água do mar causada pelo aquecimento.Os pesquisadores destacam que a resposta da Antártida ocorre ao longo de décadas, o que significa que os efeitos das emissões atuais continuam influenciando o sistema por muito tempo.Como o estudo foi feitoPara lidar com a complexidade das projeções, os cientistas usaram aprendizado de máquinas para analisar simulações já existentes sobre o comportamento das camadas de gelo.A ferramenta permitiu testar rapidamente diferentes combinações de fatores, algo que exigiria alto custo computacional com modelos tradicionais. Os resultados foram comparados com dados de satélite coletados entre 2002 e 2021, o que ajudou a ajustar as estimativas.Apesar dos avanços, ainda há incertezas sobre processos como o derretimento das plataformas de gelo pelo oceano e a interação entre gelo, atmosfera e água.Para os autores, melhorar essas medições pode ajudar cidades costeiras a planejar obras e estratégias de proteção diante da elevação do nível do mar.





