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O ator que fala a língua dos engenheiros

Um astro de Hollywood explicou redes neurais com naturalidade, e a startup dele foi comprada por mais de meio bilhão de dólares. Como isso aconteceu? ⬇️

Ben Affleck explicou redes neurais convolucionais em uma entrevista e surpreendeu quem esperava apenas um rosto famoso. O ator de Hollywood também fundou a InterPositive, startup de IA que a Netflix comprou em março de 2026. O preço só apareceu meses depois, em um documento oficial, e passa de meio bilhão de dólares. Por isso a opinião dele sobre IA pesa mais: quem fala ajudou a construir a ferramenta.

Como Ben Affleck explicou redes neurais na GQ?

O ator usou exemplos de efeitos visuais, não jargão solto. Na série "One More Question", da revista GQ, publicada em 6 de outubro, ele contou que gosta de computadores desde criança. O interesse cresceu quando o cinema migrou do filme analógico para o digital.

O astro lembrou que o aprendizado de máquina já faz parte dos efeitos visuais há anos. Estes foram os pontos de maior destaque da conversa:

- Redes convolucionais vieram antes dos transformers, que fazem muito mais cálculos ao mesmo tempo.

- O tensor é a estrutura numérica que alimenta essa rede.

- A detecção de bordas acha padrões, como o parapeito de uma janela, e facilita trocar o fundo verde de uma cena.

- Ele disse escrever scripts simples em Python, linguagem popular entre programadores.

O entrevistador, Zach Baron, brincou que Affleck falava como se ele entendesse tudo aquilo. O trecho virou assunto nas redes, entre piadas e elogios.

O lado tech de Ben Affleck: redes neurais e negócios - Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)

O que faz a InterPositive, vendida à Netflix?

A startup cria ferramentas de IA que ajudam cineastas na pós-produção, sem gerar filmes do zero. O cineasta a fundou em 2022, depois de notar que os modelos da época falhavam com as regras do cinema.

De acordo com o comunicado oficial da Netflix, o primeiro modelo aprendeu a manter a lógica visual mesmo com planos faltando, fundos trocados ou luz errada. O time filmou um conjunto próprio de imagens em estúdio controlado, etapa que durou cerca de oito meses, segundo Affleck.

O sistema aprende com o material bruto de cada filme, as chamadas dailies. O fluxo funciona assim:

- A produção grava as cenas como sempre fez.

- A ferramenta cria um modelo a partir desse material.

- A equipe usa o modelo na pós-produção para ajustar luz, cor, fundos e efeitos.

A Netflix oferecerá a ferramenta a parceiros criativos e não pretende vendê-la ao mercado. Os 16 integrantes do time entraram na empresa, e Affleck virou consultor sênior.

Quanto a Netflix pagou pela startup de Affleck?

A Netflix pagou cerca de US$ 587 milhões em dinheiro, segundo relatório trimestral enviado à SEC, órgão que fiscaliza o mercado financeiro americano. O documento não cita a startup pelo nome, mas descreve uma compra concluída em março de 2026.

No anúncio de março, a empresa manteve o valor em sigilo. A linha do tempo abaixo mostra como a história avançou.

Da ideia ao preço: a linha do tempo da InterPositive

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2022 · A startup nasce

Affleck funda a empresa e começa a filmar um conjunto próprio de imagens.

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5 de março de 2026 · Netflix anuncia a compra

O time inteiro vai para a Netflix e o ator assume o papel de consultor sênior.

📄

Julho de 2026 · O preço vem a público

O relatório trimestral informa cerca de US$ 587 milhões pagos em dinheiro.

Fontes: comunicado oficial da Netflix (5 de março de 2026) e relatório 10-Q da Netflix à SEC (julho de 2026).

Affleck contestou o número na própria entrevista à GQ e disse que ele não está correto. O valor mostra o que a Netflix desembolsou, não necessariamente o que o ator levou para casa.

O que Affleck pensa sobre o uso de IA no cinema?

Ele defende que a IA sirva ao artista, e não o substitua. No texto divulgado pela Netflix, o criador diz querer proteger o julgamento humano, que leva décadas para se formar. Em um evento da CNBC, em 2024, ele comparou os modelos a um artesão que imita técnicas já existentes. Para ele, saber a hora de parar depende de gosto.

O que essa história revela sobre IA e cinema?

A trajetória do cineasta mostra que quem domina o ofício também aprende a dominar a ferramenta. A dúvida que fica é até onde a IA entra nos sets sem roubar o protagonismo de quem cria. E você, o que acha de ver o cinema usar IA nos bastidores? Conta pra mim nos comentários.